terça-feira, 29 de novembro de 2011
LLLLllllllança Perfume!
Quando eu tinha 34 anos os homens davam em cima de mim feito zangões abelhudos; queriam provar meu mel, e não tinham muito tato pra se fazer entender.
A gente conhecia um cara na praia, ou na boite, ou apresentado por amiga ou amigo e depois de uma saída para uns drinques na Barra da Tijuca (comida nem pensar), ou umas dancinhas numa boite ou discoteca, logo vinha o convite: vamos? Não sei de minhas amigas da época, a não ser de uma, mas eu não negava não!Eu era independente, pagava minhas contas, tomava pílula, e tinha tesão à flor da pele, e nunca pensei em dizer não. Claro que eu tratava de procurar saber quem era o carinha e durante as conversas sacava se era educado, limpo, decente. Nunca errei. Nunca me dei mal.Nunca nenhum me tratou menos gentil que outro. Na minha cabeça nem passava pensar: "será que ele vai achar que sou fácil, puta, herever"Eu simplesmente seguia minha intuição e não dava a mínima para o que o carinha ia achar de mim. Só me interessava gozar e ser feliz. como tão bem cantou e canta a Rita Lee: me bota de quatro no ato, me enche de amor, lança, lança perfume! Esses homens eram tão desencanados quanto eu e também sabiam avaliar muito bem a mulher com quem estavam tratando.Mesmo porque não era com qualquer garanhão que eu aceitava sair.Olhava a roupa, as mãos, os dentes, o carro e quando ele falava eu percebia se era educado ou não.E aí eu decidia se ia ou não beber ou dançar com ele.
E mais, onde morava, quem me apresentou, enfim, como boa repórter, investigava cuidadosamente o
moço; trabalhava, morava com alguém? Minha pauta era bem completa.
Se as mulheres de 34 hoje, agissem assim, talvez não houvesse tantos homens e mulheres sem par em plena era da interconectividade.
E não pensem que essa investigação me custava muito tempo ou esforço: a gente se abria um pro outro porque os dois estavam a fim de se ac ertar. Não ficávamos nos escondendo, medrosos de mostrar nossos desejos, fraquezas ou defeitos: a gente se acertava e ia mesmo pra cama ser feliz.
Conheci todos, eu disse todos, os hotéis e motéis do Rio, da serra e do Mar.
Colecionei milhares de brindes de moteís. Jantei em quase todos, comidas excelentes, nenehum dos meus parceiros economizou comigo. Hoje os homens esperam que a mulher divida a conta.E ambos continuam sem par na vida porque confundiram demais suas mentes e corações. Não são objetivos e diretos com seus verdadeiros desejoa e intenções. Competem ao invés de conquistar.
Assediam-se ao invés de seduzir.
Por isso eu acho que fui tão feliz sempre.E continuo...
A gente se olhava nos olhos, se encarava, se elegia, se ajustava, percebia se a pele de um combinava com o outro, se havia química, a gente atestava dançando colado, colado mesmo!
Camisinha? Ninguém usava porque as mulheres da minha época, emancipadas pela pílula, cuidavam de não engravidar. As DST's nem apareciam nas consultas regulares aos médicos. Graças a Deus e ao meu bom senso ao escolher parceiros, nunca peguei nem resfriado.Aliás, peguei sim, uma DST que esqueci o nome, do meu terceiro marido que deu uma pulada de cerca sem se prevenir, em 1986.
Quase deu divórcio mas o susto que ele passou já me satisfez.
Mesmo quando não ligavam pra mim - raramente eu dava meu telefone - eu nem ligava.
Eu sabia muito bem com quem eu ia querer me encontrar de novo e aí sim, nos encontrávamos, passeávamos.Tive carinhas que me levaram pra tomar chá na Colombo, ao teatro,ao balé, à ópera,ao desfile das escolas de samba em camarote, fins de semana na Serra,em Búzios,a almoços e jantares, nos melhores restaurantes e boites.Eram caras com quem desenvolvi um relacionamento bem legal. Casei três vezes, duas antes dos trinta e uma, a última, já balzaca.
Agora, depois que passei dos 60 os únicos homens que olham pra mim não estão a fim de provar meu mel .Só são gentis por obrigação, e nem são todos: são gentis na hora de ceder o lugar nas áreas reservadas aos idosos nos ônibus!!! Pode?
Mal sabem eles que a vovó a quem cedem o lugar tá melhor que nunca.
Aliás, tem um ou dois por aí com quem me encontro de vez enquanto e que sabem muito bem que eu ainda sou a mesma mulher.A mesma não, um pouco melhor...
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Fazenda São Romão
05:30 hs de um dia qualquer em fevereiro, nos idos de 1950.Vamos a pé, até o ponto do bonde em São Francisco Xavier. Pegamos qualquer um até a Central do Brasil. Na Pres.Vargas, visões das garagens de bondes da Light, os enormes tanques do Gasômetro, o sol nascendo, temperatura amena.Na Central,embarcamos no trem parador até Japeri. Sol alto, a Maria Fumaça, linda, impressionante, envolta em nuvens de vapor, resfolegante,prestes a partir.Embarcamos, ajeitamos nossas malas velhas, bolsas e sacolas de lanche e nos acomodamos nos bancos de madeira. Eu, perto da janela de onde verei as paisagens que adoro; matas, pequenos casebres e casas simples ao longo da via férrea; moradores que abanam as mãos em cumprimento à bela Maria que sacode de um lado pro outro, apita nas curvas, solta mais nuvens de vapor.Vejo as vaquinhas com seus bezzerros, cavalos, matas e mais matas.Caminhos de terra, carroças, grandes latões de leite deixados em pequenas paradas que nada mais são do que um telheiro e um banco de tábua.O trem pára por instantes e um ajudante iça os latões de leite que serão entregues na próxima estação.
Minha memória me trai agora e não sei bem a ordem das estações.
São muitas e já reconheço cada uma delas: papai sempre anuncia a próxima estação, mesmo antes do condutor apitar e o bilheteiro vir caminhando pelo corredor entre os assentos, avisando aos passageiros:Barão de Javari! Penso que era nessa que papai descia pra comprar queijo que nós comíamos com biscoitos. Era um queijo parecido com um requeijão, embalado em papel manteiga, que era cortado pelo canivete de mil utilidades que existe até hoje. Acho que Marco o herdou.Comprava também maçãs. Não havia refrigerantes engarrafados, nem sucos, nada disso.Bebíamos água trazida de casa em garrafas de vidro.
A viagem era longa e eu ficava perguntando o tempo todo: quanto falta, papai?
E lá ia a Maria Fumaça sacudindo nos trilhos , apitando e jogando fagulhas de carvão nos olhos da menina, debruçada na janela, encantada com as paisagens da área rural,cheia de histórias dos barões do café. E ela criava outras, viajava além das matas, no rítmo da locomotiva, correndo em direção ao paraíso: a Fazenda São Romão.E lá vinham as estações, e as caixas d'água para as caldeiras.
Arcadia, Arcozelo, Pedras Ruivas, Eng.Paulo de Frontein, Pati do Alferes,Miguel Pereira, Avelar,Werneck,CAVARÚ.Chegamos! É noite e não há ninguém na estação que está fechada.A caminhonete Rural Willis do" Seu Saul" nos espera. Embarcamos sonolentos e subimos a estradinha de terra, tortuosa e perigosa em dias de chuva.
Ah! os cheiros da chuva encharcando o chão seco e as árvores!
Viajamos no escuro total, a estrada iluminada apenas pelos faróis do carro.Avistamos a estradinha na entrada da Fazenda: chegamos,eu sinto o cheiro familiar e confortador da terra e dos animais; estou em casa. Estou no Paraíso!Papai, mamãe e a irmãzinha também...
O resto é uma outra historia que fica para uma outra vez.
Minha memória me trai agora e não sei bem a ordem das estações.
São muitas e já reconheço cada uma delas: papai sempre anuncia a próxima estação, mesmo antes do condutor apitar e o bilheteiro vir caminhando pelo corredor entre os assentos, avisando aos passageiros:Barão de Javari! Penso que era nessa que papai descia pra comprar queijo que nós comíamos com biscoitos. Era um queijo parecido com um requeijão, embalado em papel manteiga, que era cortado pelo canivete de mil utilidades que existe até hoje. Acho que Marco o herdou.Comprava também maçãs. Não havia refrigerantes engarrafados, nem sucos, nada disso.Bebíamos água trazida de casa em garrafas de vidro.
A viagem era longa e eu ficava perguntando o tempo todo: quanto falta, papai?
E lá ia a Maria Fumaça sacudindo nos trilhos , apitando e jogando fagulhas de carvão nos olhos da menina, debruçada na janela, encantada com as paisagens da área rural,cheia de histórias dos barões do café. E ela criava outras, viajava além das matas, no rítmo da locomotiva, correndo em direção ao paraíso: a Fazenda São Romão.E lá vinham as estações, e as caixas d'água para as caldeiras.
Arcadia, Arcozelo, Pedras Ruivas, Eng.Paulo de Frontein, Pati do Alferes,Miguel Pereira, Avelar,Werneck,CAVARÚ.Chegamos! É noite e não há ninguém na estação que está fechada.A caminhonete Rural Willis do" Seu Saul" nos espera. Embarcamos sonolentos e subimos a estradinha de terra, tortuosa e perigosa em dias de chuva.
Ah! os cheiros da chuva encharcando o chão seco e as árvores!
Viajamos no escuro total, a estrada iluminada apenas pelos faróis do carro.Avistamos a estradinha na entrada da Fazenda: chegamos,eu sinto o cheiro familiar e confortador da terra e dos animais; estou em casa. Estou no Paraíso!Papai, mamãe e a irmãzinha também...
O resto é uma outra historia que fica para uma outra vez.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Santa Mãe de Deus, Olhai por Mim!
Minha Santa Terezinha do Menino Jesus, dá uma olhadinha cá pra baixo no dia 21 de novembro que eu vou estar apelando para as suas mãos cuidadosas me ajudarem a chegar onde preciso ir.
Há tempos estou em silêncio; não me julgo merecedora de sua ajuda divina. Ando descrente, crente que
o céu me abandonou.
Mas hoje, tive um vislumbre de que talvez, talvez eu ainda mereça um olhar misericordioso da mãe do Menino.Então, se não estiver contrariada comigo, olha por mim, Senhora.AMÉM.
Há tempos estou em silêncio; não me julgo merecedora de sua ajuda divina. Ando descrente, crente que
o céu me abandonou.
Mas hoje, tive um vislumbre de que talvez, talvez eu ainda mereça um olhar misericordioso da mãe do Menino.Então, se não estiver contrariada comigo, olha por mim, Senhora.AMÉM.
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