Tem gente que adora o verão, calor, muito sol na cabeça.
Eu abomino horário de verão e todos os desconfortos das temperaturas acima de 25 graus.
Como dizia meu guru - Paulo Francis - como é que um povo e um país pode se desenvolver
com o sol a pino, quase 365 dias por ano, e alguns com 40 graus à sombra.
É por isso que os países mais desenvolvidos são os que estão acima, bem acima da linha do Equador.
Onde tem frio, neve, muita árvore, muitos lagos, tem muita cabeça fria pra pensar em coisas mais sérias que passar hoooras debaixo de um sol inclemente pra pegar uma cor até o carnaval,e um possível câncer de pele.Os gringos, branquinhos, amam esse nosso calor porque eles podem depois voltar, mesmo que meio vermelhinhos, pras suas salas acarpetadas onde um bom fogo queima na lareira.
Isso sim é qualidade de vida.Gosto de pensar que em outra encarnação fui uma princesa, ou uma escrava, qualquer pessoa em algum país nórdico, e que talvez, se eu pagar todo o meu carma nessa encarnação, eu volte como uma feliz habitante do Canadá, ou quem sabe uma linda árvore debruçada sobre o Itaimbezinho, lá nos pampas do Rio Grande do Sul.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
"Maria vai com as outras"
Primeiro L.P.(long playing) que comprei com mesada: Johnny Mathis.
O segundo, Doris Day. Eu achava que era parecida com ela porque cortava o cabelo curtinho.
Anos mais tarde eu achei que era parecida com a Elis. Pode? Pode, se a imaginação corre solta...
Se alguém se dispuser a ouvir esses dois grandes intérpretes verão que suas músicas ainda estão na moda porque falam ao coração das pessoas.
Talvez me achem um pouco nostálgica mas até que não sou, gosto de lembrar de coisas da minha infância e juventude e compartilhar com quem viveu experiências semelhantes ou com quem tem curiosidade de saber como se vivia nos anos 50, 60, 70; os oitenta ainda são muito recentes, assim como os 90 e portanto ainda não estão na memória de longo prazo.
Apesar de não sentir saudade do passado percebo, quando falo dele, que lá não havia tanta urgência de viver; nem se analisava tudo o que se dizia ou fazia.Auto-ajuda ou a total falta de privacidade de hoje não existiam naqueles dias. O politicamente correto também não e havia menos preocupação com o que se dizia. Aliás, as pessoas não abriam tanto suas vidas como agora. Pela falta de pudor em se expor tanto algumas pessoas resvalam e demonstram sem querer seus preconceitos. Alguns as pessoas sequer imaginam que os têm.É tão arraigado que mais dia menos dia, tá lá, um baita dum mico racista ou de outro tipo qualquer.
Eu não gosto de liberdade cerceada, nem de pensar nem de emitir opinião. O politicamente correto muitas vêzes impede que a gente seja clara,que tenha opinião que difere dainstituída.
Não sou preconceituosa mas detesto ser tutelada ou ter que caminhar num fio estreito de pensamentos como se fosse uma "Maria vai com as outras..."
O segundo, Doris Day. Eu achava que era parecida com ela porque cortava o cabelo curtinho.
Anos mais tarde eu achei que era parecida com a Elis. Pode? Pode, se a imaginação corre solta...
Se alguém se dispuser a ouvir esses dois grandes intérpretes verão que suas músicas ainda estão na moda porque falam ao coração das pessoas.
Talvez me achem um pouco nostálgica mas até que não sou, gosto de lembrar de coisas da minha infância e juventude e compartilhar com quem viveu experiências semelhantes ou com quem tem curiosidade de saber como se vivia nos anos 50, 60, 70; os oitenta ainda são muito recentes, assim como os 90 e portanto ainda não estão na memória de longo prazo.
Apesar de não sentir saudade do passado percebo, quando falo dele, que lá não havia tanta urgência de viver; nem se analisava tudo o que se dizia ou fazia.Auto-ajuda ou a total falta de privacidade de hoje não existiam naqueles dias. O politicamente correto também não e havia menos preocupação com o que se dizia. Aliás, as pessoas não abriam tanto suas vidas como agora. Pela falta de pudor em se expor tanto algumas pessoas resvalam e demonstram sem querer seus preconceitos. Alguns as pessoas sequer imaginam que os têm.É tão arraigado que mais dia menos dia, tá lá, um baita dum mico racista ou de outro tipo qualquer.
Eu não gosto de liberdade cerceada, nem de pensar nem de emitir opinião. O politicamente correto muitas vêzes impede que a gente seja clara,que tenha opinião que difere dainstituída.
Não sou preconceituosa mas detesto ser tutelada ou ter que caminhar num fio estreito de pensamentos como se fosse uma "Maria vai com as outras..."
sábado, 17 de dezembro de 2011
Substantivos, nomes próprios e alguns telefones
Listinha gostosa:
22 84 12 - Olivetti, na Praça Mal. Câmara
28 27 84 - de casa, no Rocha
49 92 31 - Lulu, no Cachambi
Telefones pretos, de disco, fabricados em ebonite.
O nosso era preso ``a parede, acima da máquina de costura Singer, de pedal, da vovó.
Sears, Mesbla, Casa Mattos, Polar(sapato Tank, lindo, preto, bico quadrado, de amarrar, que o papai engraxava todo domingo de manha).Casa Haddad, em rua em frente ao Instituto de Educaçao, na Mariz e Barros.Barbosa Freitas, Mesbla, Ducal, Ultralar, Lojas Brasileiras.
Sloper da Praça Saens Pena, na Tijuca.E tantas outras marcas inesquecíveis.
Casas Pernambucanas "é que aquece o seu lar".Lâmpadas GE, "olhe a marca e bata o pé, quando for comprar veja bem se é GE".
Rádio Relógio: quem ilumina seu lar é a "Galeria Silvestre, a Galeria da Luz". Casa Vesúvio.A Tôrre Eiffel.
Com a ajuda de alguns amigos e parentes quero lembrar de muito mais porque quem esquece o passado nao vive o presente.
"Shalimar", caro, forte, persistente. Papi dava um vidro pra mamao em todos os aniversários dela, por muitos anos.
22 84 12 - Olivetti, na Praça Mal. Câmara
28 27 84 - de casa, no Rocha
49 92 31 - Lulu, no Cachambi
Telefones pretos, de disco, fabricados em ebonite.
O nosso era preso ``a parede, acima da máquina de costura Singer, de pedal, da vovó.
Sears, Mesbla, Casa Mattos, Polar(sapato Tank, lindo, preto, bico quadrado, de amarrar, que o papai engraxava todo domingo de manha).Casa Haddad, em rua em frente ao Instituto de Educaçao, na Mariz e Barros.Barbosa Freitas, Mesbla, Ducal, Ultralar, Lojas Brasileiras.
Sloper da Praça Saens Pena, na Tijuca.E tantas outras marcas inesquecíveis.
Casas Pernambucanas "é que aquece o seu lar".Lâmpadas GE, "olhe a marca e bata o pé, quando for comprar veja bem se é GE".
Rádio Relógio: quem ilumina seu lar é a "Galeria Silvestre, a Galeria da Luz". Casa Vesúvio.A Tôrre Eiffel.
Com a ajuda de alguns amigos e parentes quero lembrar de muito mais porque quem esquece o passado nao vive o presente.
"Shalimar", caro, forte, persistente. Papi dava um vidro pra mamao em todos os aniversários dela, por muitos anos.
Arnaldo Jabor,obrigada
Sou fascinada pelos textos do Arnaldo Jabor publicados no Globo .Os últimos tem atingido direto o coraçao das minhas memórias infantis. Jabor foi infante numa escola municipal que ficava no Rocha, pertinho da rua onde eu morava. Ele também morou no Méier, muito antes de mim mas suas histórias de família sao muito parecidas com as minhas, no Rocha.Nossa geraçao de classe média, da zona norte, tem referências muito parecidas em questoes familiares. Jabor também me fascina ao vivo no Jornal da Globo. Rascante, ácido, de uma clareza brilhante,ele comenta os fatos mais marcantes da vida institucional brasileira com um certo humor que eu admiro.Sua obra cinematográfica é repleta de emoçao e prefiro que seja assim que o cinema brasileiro cresça. A estética da miséria, do nordeste, das mulheres de bundao na praia e dos malandros já me encheu o saco há muito tempo. Nossa dramaturgia é rica, nossa história e nossa gente comum, urbana, sulista, pantaneira é tao rica quanto as favelas, digo, comunidades cariocas e paulistas, ou as secas e áridas histórias nordestinas.Sinto-me mais miserável do que realmente sou ao assistir qualquer filme de temática favelada ou nordestina.
Parei em Vidas Sêcas, uma obra prima, e chega.Quero os dramas, as lágrimas e as superaçoes de "O filho eterno"; quero vibrar com Tropa de Elite(1 e 2),e com as comédias recentes, urbanas, paridas do senso comum brasileiro.
Quero mais Arnaldo Jabor. Você me inspira , me instrui e me diverte. Me confirma que minhas memórias nao sao uma invençao,apenas uma rica uma imaginaçao; se as suas existem entao eu tenho certeza que vivi as minhas.
Você me foi apresentado uma vez numa reuniao de cineastas pelo Orlando Bonfim; na época eu participava ativamente das tentativas de colocar nossos curtas nos cinemas.Pedi pra ser apresentada porque já entao você era um ídolo.Apertei sua mao, você disse algo como " muito prazer...". E eu é que tinha tido mesmo "o prazer". Travei, nao consegui dizer nada interessante que pudesse despertar sua atençao e você se retirou indo juntar-se a seus pares, outros famosos e importantes cineastas.
Tudo bem, posso desfrutar de seus textos,babando a última página do Segundo Caderno.
Deus te abençoe, Jabor.
Parei em Vidas Sêcas, uma obra prima, e chega.Quero os dramas, as lágrimas e as superaçoes de "O filho eterno"; quero vibrar com Tropa de Elite(1 e 2),e com as comédias recentes, urbanas, paridas do senso comum brasileiro.
Quero mais Arnaldo Jabor. Você me inspira , me instrui e me diverte. Me confirma que minhas memórias nao sao uma invençao,apenas uma rica uma imaginaçao; se as suas existem entao eu tenho certeza que vivi as minhas.
Você me foi apresentado uma vez numa reuniao de cineastas pelo Orlando Bonfim; na época eu participava ativamente das tentativas de colocar nossos curtas nos cinemas.Pedi pra ser apresentada porque já entao você era um ídolo.Apertei sua mao, você disse algo como " muito prazer...". E eu é que tinha tido mesmo "o prazer". Travei, nao consegui dizer nada interessante que pudesse despertar sua atençao e você se retirou indo juntar-se a seus pares, outros famosos e importantes cineastas.
Tudo bem, posso desfrutar de seus textos,babando a última página do Segundo Caderno.
Deus te abençoe, Jabor.
Eu sou de Touro, e você?
Taurinas amam a beleza e buscam sempre tê-la por perto.Sao conscientes da efemeridade das coisas e podem ser possessivos e bem teimosos.
Por isso, sua uva só poderia ser a francesa Merlot que prioriza a beleza e a sofisticaçao sobre todas as coisas.
Gosta de muita atençao e quando a consegue exibe todo o seu charme.É profunda, fechada, encantadora,segura do que é e do que tem para oferecer.Merlot e taurinas sao teimosas e insistem em manter seu estilo sem aceitar ingerências externas.
Por isso, sua uva só poderia ser a francesa Merlot que prioriza a beleza e a sofisticaçao sobre todas as coisas.
Gosta de muita atençao e quando a consegue exibe todo o seu charme.É profunda, fechada, encantadora,segura do que é e do que tem para oferecer.Merlot e taurinas sao teimosas e insistem em manter seu estilo sem aceitar ingerências externas.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Marraio, feridô sou rei
Quando era criança eu adorava as bricadeiras dos meninos: jogar "gude", fazer pipa, soltar pipa, jogar futebol, subir em árvores, apostar corrida e por aí vai...
Adorava brincar de médico, de casa, com papaéis definidos de pai, mãe, filha, etc..
Comprava cigarro continental à varejo e acendia pra ser "o pai". Freud explica e tanto explica que mesmo brincando com as meninas, de roda, de casinha, de cozinhar - eu ADORAVA cozinhar- os anos de terapia me ensinaram a perceber os insights.Um deles, eu gostava de brincar com os meninos porque eu já gostava muito de aparecer para os meninos.PODE!!!! A respeito de cozinhar ...
Vovó punha uma panelinha pequena sobre um fogareiro a álcool e eu cozinhava arroz, macarrão, fritava batata, e distribuía entre a irmã, os primos(as) presentes e a Viga ou a Regina, as amigas de toda a minha infância. Sofri muito quando elas em plena puberdade, aos 12 anos mais ou menos, se mudaram pra Ipanema. Um ano depois fui até lé, de ônibus.Foi triste, não foi alegre esse encontro. Elas não eram as mesmas. Eu também devia ter mudado. Não lembro muita coisa mas o apto era minúsculo, escuro e velho.Não lembro mais nada.Falando da Vovó, além de ser maravilhosa, me ensinou tudo que sei sobre cozinhar e despertou em mim o prazer de cozinhar como oferenda, como uma dádiva de amor.
Mas voltando às brincadeiras, tive uma infância rica, criativa, cheia de liberdade pra inventar e com isso sublimava as dificuldades de viver numa família aflita, onde a comunicação inexistia, e eu me refugiava no banheiro da empregada quando o pau comia.
Nem assim consigo pensar em ter sido infeliz; posso pensar em "um pouco de negligência" mas meus pais e avó, e a tia Thereza faziam o que podiam: eles não sabiam mesmo como cuidar emocionalmente do desenvolvimento de uma criança. Não se prestava muita atenção nelas. Incrivelmente, algumas se salvavam por si mesmas.
Não sou perfeitinha e sou complicada mas não lembro de ser infeliz, apenas tinha dias difíceis.
Bota difícil nisso mas eu sobrevivi e não me queixo, hoje aos 64 de idade, daqueles que cuidaram amorosamente de mim, à moda deles, mas cuidaram.
E eu acabei me transformando nessa pessoa que adora viver e lembra com amor e saudade dos meus queridos que já se foram.
Adorava brincar de médico, de casa, com papaéis definidos de pai, mãe, filha, etc..
Comprava cigarro continental à varejo e acendia pra ser "o pai". Freud explica e tanto explica que mesmo brincando com as meninas, de roda, de casinha, de cozinhar - eu ADORAVA cozinhar- os anos de terapia me ensinaram a perceber os insights.Um deles, eu gostava de brincar com os meninos porque eu já gostava muito de aparecer para os meninos.PODE!!!! A respeito de cozinhar ...
Vovó punha uma panelinha pequena sobre um fogareiro a álcool e eu cozinhava arroz, macarrão, fritava batata, e distribuía entre a irmã, os primos(as) presentes e a Viga ou a Regina, as amigas de toda a minha infância. Sofri muito quando elas em plena puberdade, aos 12 anos mais ou menos, se mudaram pra Ipanema. Um ano depois fui até lé, de ônibus.Foi triste, não foi alegre esse encontro. Elas não eram as mesmas. Eu também devia ter mudado. Não lembro muita coisa mas o apto era minúsculo, escuro e velho.Não lembro mais nada.Falando da Vovó, além de ser maravilhosa, me ensinou tudo que sei sobre cozinhar e despertou em mim o prazer de cozinhar como oferenda, como uma dádiva de amor.
Mas voltando às brincadeiras, tive uma infância rica, criativa, cheia de liberdade pra inventar e com isso sublimava as dificuldades de viver numa família aflita, onde a comunicação inexistia, e eu me refugiava no banheiro da empregada quando o pau comia.
Nem assim consigo pensar em ter sido infeliz; posso pensar em "um pouco de negligência" mas meus pais e avó, e a tia Thereza faziam o que podiam: eles não sabiam mesmo como cuidar emocionalmente do desenvolvimento de uma criança. Não se prestava muita atenção nelas. Incrivelmente, algumas se salvavam por si mesmas.
Não sou perfeitinha e sou complicada mas não lembro de ser infeliz, apenas tinha dias difíceis.
Bota difícil nisso mas eu sobrevivi e não me queixo, hoje aos 64 de idade, daqueles que cuidaram amorosamente de mim, à moda deles, mas cuidaram.
E eu acabei me transformando nessa pessoa que adora viver e lembra com amor e saudade dos meus queridos que já se foram.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
LLLLllllllança Perfume!
Quando eu tinha 34 anos os homens davam em cima de mim feito zangões abelhudos; queriam provar meu mel, e não tinham muito tato pra se fazer entender.
A gente conhecia um cara na praia, ou na boite, ou apresentado por amiga ou amigo e depois de uma saída para uns drinques na Barra da Tijuca (comida nem pensar), ou umas dancinhas numa boite ou discoteca, logo vinha o convite: vamos? Não sei de minhas amigas da época, a não ser de uma, mas eu não negava não!Eu era independente, pagava minhas contas, tomava pílula, e tinha tesão à flor da pele, e nunca pensei em dizer não. Claro que eu tratava de procurar saber quem era o carinha e durante as conversas sacava se era educado, limpo, decente. Nunca errei. Nunca me dei mal.Nunca nenhum me tratou menos gentil que outro. Na minha cabeça nem passava pensar: "será que ele vai achar que sou fácil, puta, herever"Eu simplesmente seguia minha intuição e não dava a mínima para o que o carinha ia achar de mim. Só me interessava gozar e ser feliz. como tão bem cantou e canta a Rita Lee: me bota de quatro no ato, me enche de amor, lança, lança perfume! Esses homens eram tão desencanados quanto eu e também sabiam avaliar muito bem a mulher com quem estavam tratando.Mesmo porque não era com qualquer garanhão que eu aceitava sair.Olhava a roupa, as mãos, os dentes, o carro e quando ele falava eu percebia se era educado ou não.E aí eu decidia se ia ou não beber ou dançar com ele.
E mais, onde morava, quem me apresentou, enfim, como boa repórter, investigava cuidadosamente o
moço; trabalhava, morava com alguém? Minha pauta era bem completa.
Se as mulheres de 34 hoje, agissem assim, talvez não houvesse tantos homens e mulheres sem par em plena era da interconectividade.
E não pensem que essa investigação me custava muito tempo ou esforço: a gente se abria um pro outro porque os dois estavam a fim de se ac ertar. Não ficávamos nos escondendo, medrosos de mostrar nossos desejos, fraquezas ou defeitos: a gente se acertava e ia mesmo pra cama ser feliz.
Conheci todos, eu disse todos, os hotéis e motéis do Rio, da serra e do Mar.
Colecionei milhares de brindes de moteís. Jantei em quase todos, comidas excelentes, nenehum dos meus parceiros economizou comigo. Hoje os homens esperam que a mulher divida a conta.E ambos continuam sem par na vida porque confundiram demais suas mentes e corações. Não são objetivos e diretos com seus verdadeiros desejoa e intenções. Competem ao invés de conquistar.
Assediam-se ao invés de seduzir.
Por isso eu acho que fui tão feliz sempre.E continuo...
A gente se olhava nos olhos, se encarava, se elegia, se ajustava, percebia se a pele de um combinava com o outro, se havia química, a gente atestava dançando colado, colado mesmo!
Camisinha? Ninguém usava porque as mulheres da minha época, emancipadas pela pílula, cuidavam de não engravidar. As DST's nem apareciam nas consultas regulares aos médicos. Graças a Deus e ao meu bom senso ao escolher parceiros, nunca peguei nem resfriado.Aliás, peguei sim, uma DST que esqueci o nome, do meu terceiro marido que deu uma pulada de cerca sem se prevenir, em 1986.
Quase deu divórcio mas o susto que ele passou já me satisfez.
Mesmo quando não ligavam pra mim - raramente eu dava meu telefone - eu nem ligava.
Eu sabia muito bem com quem eu ia querer me encontrar de novo e aí sim, nos encontrávamos, passeávamos.Tive carinhas que me levaram pra tomar chá na Colombo, ao teatro,ao balé, à ópera,ao desfile das escolas de samba em camarote, fins de semana na Serra,em Búzios,a almoços e jantares, nos melhores restaurantes e boites.Eram caras com quem desenvolvi um relacionamento bem legal. Casei três vezes, duas antes dos trinta e uma, a última, já balzaca.
Agora, depois que passei dos 60 os únicos homens que olham pra mim não estão a fim de provar meu mel .Só são gentis por obrigação, e nem são todos: são gentis na hora de ceder o lugar nas áreas reservadas aos idosos nos ônibus!!! Pode?
Mal sabem eles que a vovó a quem cedem o lugar tá melhor que nunca.
Aliás, tem um ou dois por aí com quem me encontro de vez enquanto e que sabem muito bem que eu ainda sou a mesma mulher.A mesma não, um pouco melhor...
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Fazenda São Romão
05:30 hs de um dia qualquer em fevereiro, nos idos de 1950.Vamos a pé, até o ponto do bonde em São Francisco Xavier. Pegamos qualquer um até a Central do Brasil. Na Pres.Vargas, visões das garagens de bondes da Light, os enormes tanques do Gasômetro, o sol nascendo, temperatura amena.Na Central,embarcamos no trem parador até Japeri. Sol alto, a Maria Fumaça, linda, impressionante, envolta em nuvens de vapor, resfolegante,prestes a partir.Embarcamos, ajeitamos nossas malas velhas, bolsas e sacolas de lanche e nos acomodamos nos bancos de madeira. Eu, perto da janela de onde verei as paisagens que adoro; matas, pequenos casebres e casas simples ao longo da via férrea; moradores que abanam as mãos em cumprimento à bela Maria que sacode de um lado pro outro, apita nas curvas, solta mais nuvens de vapor.Vejo as vaquinhas com seus bezzerros, cavalos, matas e mais matas.Caminhos de terra, carroças, grandes latões de leite deixados em pequenas paradas que nada mais são do que um telheiro e um banco de tábua.O trem pára por instantes e um ajudante iça os latões de leite que serão entregues na próxima estação.
Minha memória me trai agora e não sei bem a ordem das estações.
São muitas e já reconheço cada uma delas: papai sempre anuncia a próxima estação, mesmo antes do condutor apitar e o bilheteiro vir caminhando pelo corredor entre os assentos, avisando aos passageiros:Barão de Javari! Penso que era nessa que papai descia pra comprar queijo que nós comíamos com biscoitos. Era um queijo parecido com um requeijão, embalado em papel manteiga, que era cortado pelo canivete de mil utilidades que existe até hoje. Acho que Marco o herdou.Comprava também maçãs. Não havia refrigerantes engarrafados, nem sucos, nada disso.Bebíamos água trazida de casa em garrafas de vidro.
A viagem era longa e eu ficava perguntando o tempo todo: quanto falta, papai?
E lá ia a Maria Fumaça sacudindo nos trilhos , apitando e jogando fagulhas de carvão nos olhos da menina, debruçada na janela, encantada com as paisagens da área rural,cheia de histórias dos barões do café. E ela criava outras, viajava além das matas, no rítmo da locomotiva, correndo em direção ao paraíso: a Fazenda São Romão.E lá vinham as estações, e as caixas d'água para as caldeiras.
Arcadia, Arcozelo, Pedras Ruivas, Eng.Paulo de Frontein, Pati do Alferes,Miguel Pereira, Avelar,Werneck,CAVARÚ.Chegamos! É noite e não há ninguém na estação que está fechada.A caminhonete Rural Willis do" Seu Saul" nos espera. Embarcamos sonolentos e subimos a estradinha de terra, tortuosa e perigosa em dias de chuva.
Ah! os cheiros da chuva encharcando o chão seco e as árvores!
Viajamos no escuro total, a estrada iluminada apenas pelos faróis do carro.Avistamos a estradinha na entrada da Fazenda: chegamos,eu sinto o cheiro familiar e confortador da terra e dos animais; estou em casa. Estou no Paraíso!Papai, mamãe e a irmãzinha também...
O resto é uma outra historia que fica para uma outra vez.
Minha memória me trai agora e não sei bem a ordem das estações.
São muitas e já reconheço cada uma delas: papai sempre anuncia a próxima estação, mesmo antes do condutor apitar e o bilheteiro vir caminhando pelo corredor entre os assentos, avisando aos passageiros:Barão de Javari! Penso que era nessa que papai descia pra comprar queijo que nós comíamos com biscoitos. Era um queijo parecido com um requeijão, embalado em papel manteiga, que era cortado pelo canivete de mil utilidades que existe até hoje. Acho que Marco o herdou.Comprava também maçãs. Não havia refrigerantes engarrafados, nem sucos, nada disso.Bebíamos água trazida de casa em garrafas de vidro.
A viagem era longa e eu ficava perguntando o tempo todo: quanto falta, papai?
E lá ia a Maria Fumaça sacudindo nos trilhos , apitando e jogando fagulhas de carvão nos olhos da menina, debruçada na janela, encantada com as paisagens da área rural,cheia de histórias dos barões do café. E ela criava outras, viajava além das matas, no rítmo da locomotiva, correndo em direção ao paraíso: a Fazenda São Romão.E lá vinham as estações, e as caixas d'água para as caldeiras.
Arcadia, Arcozelo, Pedras Ruivas, Eng.Paulo de Frontein, Pati do Alferes,Miguel Pereira, Avelar,Werneck,CAVARÚ.Chegamos! É noite e não há ninguém na estação que está fechada.A caminhonete Rural Willis do" Seu Saul" nos espera. Embarcamos sonolentos e subimos a estradinha de terra, tortuosa e perigosa em dias de chuva.
Ah! os cheiros da chuva encharcando o chão seco e as árvores!
Viajamos no escuro total, a estrada iluminada apenas pelos faróis do carro.Avistamos a estradinha na entrada da Fazenda: chegamos,eu sinto o cheiro familiar e confortador da terra e dos animais; estou em casa. Estou no Paraíso!Papai, mamãe e a irmãzinha também...
O resto é uma outra historia que fica para uma outra vez.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Santa Mãe de Deus, Olhai por Mim!
Minha Santa Terezinha do Menino Jesus, dá uma olhadinha cá pra baixo no dia 21 de novembro que eu vou estar apelando para as suas mãos cuidadosas me ajudarem a chegar onde preciso ir.
Há tempos estou em silêncio; não me julgo merecedora de sua ajuda divina. Ando descrente, crente que
o céu me abandonou.
Mas hoje, tive um vislumbre de que talvez, talvez eu ainda mereça um olhar misericordioso da mãe do Menino.Então, se não estiver contrariada comigo, olha por mim, Senhora.AMÉM.
Há tempos estou em silêncio; não me julgo merecedora de sua ajuda divina. Ando descrente, crente que
o céu me abandonou.
Mas hoje, tive um vislumbre de que talvez, talvez eu ainda mereça um olhar misericordioso da mãe do Menino.Então, se não estiver contrariada comigo, olha por mim, Senhora.AMÉM.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Na dança da solidão
Ando pra lá de ansiosa.Quero abrir meu coração aqui no blog e ao mesmo tempo me borro de medo de julgamentos, críticas, interpretações erradas. Blog, face, twitter, todas as mídias ainda me causam certa estranheza apezar de gostar disso, de poder escrever, que é a primeira e mais importante atividade da minha vida. Se eu nunca mais pudesse ter um pensamento, e se , pior que isso, não tivesse como ou onde expressá-lo, me tornaria a mais infeliz das criaturas.Eu falo "pelos cotovelos", todo mundo diz que falo demais, que chego a me expor demais, onde e com quem não devia. Todos têm razão. Mas sabem porque faço assim?
Necessidade de me expressar, de me fazer conhecer, de interagir com todo mundo, de ouvir as histórias, contar as minhas, encontrar a semelhança com meus semelhantes, eu que já me senti, várias vêzes, completamente "não pertencente" a nada, a nenhum grupo, absolutamente só.A sensação de não pertencer a qualquer grupo ou lugar é muito, muito ruim. Se alguém já se sentiu assim, por favor, compartilhe sua experiência comigo. Eu gosto muito de pessoas, de suas histórias de vida, de suas dores e alegrias, embora em uma época da minha vida alguém tentou me fazer crer no contrário.Eu quase acreditei.Outra pessoa tentou e por algum tempo conseguiu me fazer acreditar que eu era irresponsável,
que não levava minhas tarefas ou decisões até o fim, que eu desistia no meio do caminho.
Nada disso gente.Sou ousada, um tanto aventureira, curiosa,atrevida, audaciosa mas nenhuma dessas qualidades em qualquer tempo me tornou irresponsável.
Eu trabalhei desde os 16 anos, estudei, casei, tive filhos, montei uma empresa de sucesso por 22 anos, tenho três netos, tenho muito orgulho da minha capacidade de trabalho e que trabalhos!
Fiz muita coisa boa e linda. Nunca tive um texto recusado por qualquer cliente. Tenho orgulho de mim e sei que há alguém que me conhece muito bem e que acredita em tudo o que escrevi aqui.
Infelizmente nada disso me ajuda a encontrar trabalho. Estou à margem da sociedade produtiva mesmo estando com minha capacidade física e mental tão boa quanto sempre.E aí vem a ansiedade lá da primeira frase:me sinto de novo alijada, sem pertencer a nenhum grupo humano, nenhum lugar, prisioneira, na gaiola de ouro de uma aposentadoria precoce que rejeitei e rejeito veementemente.
A sociedade brasileira rejeita pessoas como eu: sou invisível, inaudível, dispensável.
Serei mesmo? Minha competência, a experiência, o talento e todas as capacidades apreendidas não representam nada? Pois deveriam...
Necessidade de me expressar, de me fazer conhecer, de interagir com todo mundo, de ouvir as histórias, contar as minhas, encontrar a semelhança com meus semelhantes, eu que já me senti, várias vêzes, completamente "não pertencente" a nada, a nenhum grupo, absolutamente só.A sensação de não pertencer a qualquer grupo ou lugar é muito, muito ruim. Se alguém já se sentiu assim, por favor, compartilhe sua experiência comigo. Eu gosto muito de pessoas, de suas histórias de vida, de suas dores e alegrias, embora em uma época da minha vida alguém tentou me fazer crer no contrário.Eu quase acreditei.Outra pessoa tentou e por algum tempo conseguiu me fazer acreditar que eu era irresponsável,
que não levava minhas tarefas ou decisões até o fim, que eu desistia no meio do caminho.
Nada disso gente.Sou ousada, um tanto aventureira, curiosa,atrevida, audaciosa mas nenhuma dessas qualidades em qualquer tempo me tornou irresponsável.
Eu trabalhei desde os 16 anos, estudei, casei, tive filhos, montei uma empresa de sucesso por 22 anos, tenho três netos, tenho muito orgulho da minha capacidade de trabalho e que trabalhos!
Fiz muita coisa boa e linda. Nunca tive um texto recusado por qualquer cliente. Tenho orgulho de mim e sei que há alguém que me conhece muito bem e que acredita em tudo o que escrevi aqui.
Infelizmente nada disso me ajuda a encontrar trabalho. Estou à margem da sociedade produtiva mesmo estando com minha capacidade física e mental tão boa quanto sempre.E aí vem a ansiedade lá da primeira frase:me sinto de novo alijada, sem pertencer a nenhum grupo humano, nenhum lugar, prisioneira, na gaiola de ouro de uma aposentadoria precoce que rejeitei e rejeito veementemente.
A sociedade brasileira rejeita pessoas como eu: sou invisível, inaudível, dispensável.
Serei mesmo? Minha competência, a experiência, o talento e todas as capacidades apreendidas não representam nada? Pois deveriam...
domingo, 23 de outubro de 2011
Ah! os acentos,os assentos e as controvérsias
Que nossa língua escrita é controvertida já sabemos. Escrever bem é saber expor um pensamento, uma idéia, com princípio, meio e fim.
Em bom jornalismo, se exige clareza, concisão e informação bem apurada.
Com a nova ortografia que tirou acentos e trema, e não sei o que mais, estou sempre em dúvida sobre a
correta ortografia das palavras. Você duvida? Eu tenho dúvida, então existo. Porque estou pensando.
Bom, mas vim até o blog para escrever sobre uma citação que fiz no facebook outro dia sobre pessoas cuja
falta de rítmo ao caminharem provocam destruição no trânsito em shoppings, supermercados e calçadas.
Essas pessoas não poderiam jamais dirigir um veículo auto-motor(está certo?).O que fazem caminhando é
tão perigoso que nem posso imaginar essas criaturas a bordo de um carro atrapalhando o tráfego e congestionando as ruas.Eu transito bem, sem mudar o rumo de repente, virando à direita ou à esquerda, não sem antes com o canto do ôlho para verificar se não vou bater de lado em outro transeunte; nem páro sem antesdiminuir o passo para que não me atropelem com um carrinho no corredor do supermercado.
Exatamente como uma boa motorista faria na direção de seu veículo.
Já não sei bem onde vou parar; acho que aqui e agora. Não vou transitar por mais uma linha nessa página.
Posso causar engarrafamento no tráfego de mensagens...Boa noite, bom dia ...
Em bom jornalismo, se exige clareza, concisão e informação bem apurada.
Com a nova ortografia que tirou acentos e trema, e não sei o que mais, estou sempre em dúvida sobre a
correta ortografia das palavras. Você duvida? Eu tenho dúvida, então existo. Porque estou pensando.
Bom, mas vim até o blog para escrever sobre uma citação que fiz no facebook outro dia sobre pessoas cuja
falta de rítmo ao caminharem provocam destruição no trânsito em shoppings, supermercados e calçadas.
Essas pessoas não poderiam jamais dirigir um veículo auto-motor(está certo?).O que fazem caminhando é
tão perigoso que nem posso imaginar essas criaturas a bordo de um carro atrapalhando o tráfego e congestionando as ruas.Eu transito bem, sem mudar o rumo de repente, virando à direita ou à esquerda, não sem antes com o canto do ôlho para verificar se não vou bater de lado em outro transeunte; nem páro sem antesdiminuir o passo para que não me atropelem com um carrinho no corredor do supermercado.
Exatamente como uma boa motorista faria na direção de seu veículo.
Já não sei bem onde vou parar; acho que aqui e agora. Não vou transitar por mais uma linha nessa página.
Posso causar engarrafamento no tráfego de mensagens...Boa noite, bom dia ...
domingo, 16 de outubro de 2011
Aqui estou de regresso
Após um curto e belo inverno estou de volta ao doce aconchego do meu blog onde escrevo sobre o passado, o presente e .... outras cositas mais!
Andei sumida por necessidade de um pouco de reflexão e solitude.
Vou recomeçar minhas histórias e é pra já.
Não fui ao Rock 'in Rio mas assisti tudo e me senti como no primeiro:exaltada e feliz.
Não estou mais namorando portanto não será mais possível escrever sobre o meu querido. O príncipe virou sapo após 18 meses coachando na minha lagoa. Esvaziei-a e enxotei o sapo. Minha perereca(com duplo sentido, por favor) ficou livre do sapo cururu que não sabia ser feliz.
Procuro um novo príncipe.O que desencantei deixa algumas boas lembranças mas ele não leu Neruda, não sabe nada sobre cinema,então eu fecho o portão sem fazer alarde, só levo a carteira de identidade, uma saideira e uma saudade e a leve impressão de que já vai tarde...
Andei sumida por necessidade de um pouco de reflexão e solitude.
Vou recomeçar minhas histórias e é pra já.
Não fui ao Rock 'in Rio mas assisti tudo e me senti como no primeiro:exaltada e feliz.
Não estou mais namorando portanto não será mais possível escrever sobre o meu querido. O príncipe virou sapo após 18 meses coachando na minha lagoa. Esvaziei-a e enxotei o sapo. Minha perereca(com duplo sentido, por favor) ficou livre do sapo cururu que não sabia ser feliz.
Procuro um novo príncipe.O que desencantei deixa algumas boas lembranças mas ele não leu Neruda, não sabe nada sobre cinema,então eu fecho o portão sem fazer alarde, só levo a carteira de identidade, uma saideira e uma saudade e a leve impressão de que já vai tarde...
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