Sou fascinada pelos textos do Arnaldo Jabor publicados no Globo .Os últimos tem atingido direto o coraçao das minhas memórias infantis. Jabor foi infante numa escola municipal que ficava no Rocha, pertinho da rua onde eu morava. Ele também morou no Méier, muito antes de mim mas suas histórias de família sao muito parecidas com as minhas, no Rocha.Nossa geraçao de classe média, da zona norte, tem referências muito parecidas em questoes familiares. Jabor também me fascina ao vivo no Jornal da Globo. Rascante, ácido, de uma clareza brilhante,ele comenta os fatos mais marcantes da vida institucional brasileira com um certo humor que eu admiro.Sua obra cinematográfica é repleta de emoçao e prefiro que seja assim que o cinema brasileiro cresça. A estética da miséria, do nordeste, das mulheres de bundao na praia e dos malandros já me encheu o saco há muito tempo. Nossa dramaturgia é rica, nossa história e nossa gente comum, urbana, sulista, pantaneira é tao rica quanto as favelas, digo, comunidades cariocas e paulistas, ou as secas e áridas histórias nordestinas.Sinto-me mais miserável do que realmente sou ao assistir qualquer filme de temática favelada ou nordestina.
Parei em Vidas Sêcas, uma obra prima, e chega.Quero os dramas, as lágrimas e as superaçoes de "O filho eterno"; quero vibrar com Tropa de Elite(1 e 2),e com as comédias recentes, urbanas, paridas do senso comum brasileiro.
Quero mais Arnaldo Jabor. Você me inspira , me instrui e me diverte. Me confirma que minhas memórias nao sao uma invençao,apenas uma rica uma imaginaçao; se as suas existem entao eu tenho certeza que vivi as minhas.
Você me foi apresentado uma vez numa reuniao de cineastas pelo Orlando Bonfim; na época eu participava ativamente das tentativas de colocar nossos curtas nos cinemas.Pedi pra ser apresentada porque já entao você era um ídolo.Apertei sua mao, você disse algo como " muito prazer...". E eu é que tinha tido mesmo "o prazer". Travei, nao consegui dizer nada interessante que pudesse despertar sua atençao e você se retirou indo juntar-se a seus pares, outros famosos e importantes cineastas.
Tudo bem, posso desfrutar de seus textos,babando a última página do Segundo Caderno.
Deus te abençoe, Jabor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário