Tem gente que adora o verão, calor, muito sol na cabeça.
Eu abomino horário de verão e todos os desconfortos das temperaturas acima de 25 graus.
Como dizia meu guru - Paulo Francis - como é que um povo e um país pode se desenvolver
com o sol a pino, quase 365 dias por ano, e alguns com 40 graus à sombra.
É por isso que os países mais desenvolvidos são os que estão acima, bem acima da linha do Equador.
Onde tem frio, neve, muita árvore, muitos lagos, tem muita cabeça fria pra pensar em coisas mais sérias que passar hoooras debaixo de um sol inclemente pra pegar uma cor até o carnaval,e um possível câncer de pele.Os gringos, branquinhos, amam esse nosso calor porque eles podem depois voltar, mesmo que meio vermelhinhos, pras suas salas acarpetadas onde um bom fogo queima na lareira.
Isso sim é qualidade de vida.Gosto de pensar que em outra encarnação fui uma princesa, ou uma escrava, qualquer pessoa em algum país nórdico, e que talvez, se eu pagar todo o meu carma nessa encarnação, eu volte como uma feliz habitante do Canadá, ou quem sabe uma linda árvore debruçada sobre o Itaimbezinho, lá nos pampas do Rio Grande do Sul.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
"Maria vai com as outras"
Primeiro L.P.(long playing) que comprei com mesada: Johnny Mathis.
O segundo, Doris Day. Eu achava que era parecida com ela porque cortava o cabelo curtinho.
Anos mais tarde eu achei que era parecida com a Elis. Pode? Pode, se a imaginação corre solta...
Se alguém se dispuser a ouvir esses dois grandes intérpretes verão que suas músicas ainda estão na moda porque falam ao coração das pessoas.
Talvez me achem um pouco nostálgica mas até que não sou, gosto de lembrar de coisas da minha infância e juventude e compartilhar com quem viveu experiências semelhantes ou com quem tem curiosidade de saber como se vivia nos anos 50, 60, 70; os oitenta ainda são muito recentes, assim como os 90 e portanto ainda não estão na memória de longo prazo.
Apesar de não sentir saudade do passado percebo, quando falo dele, que lá não havia tanta urgência de viver; nem se analisava tudo o que se dizia ou fazia.Auto-ajuda ou a total falta de privacidade de hoje não existiam naqueles dias. O politicamente correto também não e havia menos preocupação com o que se dizia. Aliás, as pessoas não abriam tanto suas vidas como agora. Pela falta de pudor em se expor tanto algumas pessoas resvalam e demonstram sem querer seus preconceitos. Alguns as pessoas sequer imaginam que os têm.É tão arraigado que mais dia menos dia, tá lá, um baita dum mico racista ou de outro tipo qualquer.
Eu não gosto de liberdade cerceada, nem de pensar nem de emitir opinião. O politicamente correto muitas vêzes impede que a gente seja clara,que tenha opinião que difere dainstituída.
Não sou preconceituosa mas detesto ser tutelada ou ter que caminhar num fio estreito de pensamentos como se fosse uma "Maria vai com as outras..."
O segundo, Doris Day. Eu achava que era parecida com ela porque cortava o cabelo curtinho.
Anos mais tarde eu achei que era parecida com a Elis. Pode? Pode, se a imaginação corre solta...
Se alguém se dispuser a ouvir esses dois grandes intérpretes verão que suas músicas ainda estão na moda porque falam ao coração das pessoas.
Talvez me achem um pouco nostálgica mas até que não sou, gosto de lembrar de coisas da minha infância e juventude e compartilhar com quem viveu experiências semelhantes ou com quem tem curiosidade de saber como se vivia nos anos 50, 60, 70; os oitenta ainda são muito recentes, assim como os 90 e portanto ainda não estão na memória de longo prazo.
Apesar de não sentir saudade do passado percebo, quando falo dele, que lá não havia tanta urgência de viver; nem se analisava tudo o que se dizia ou fazia.Auto-ajuda ou a total falta de privacidade de hoje não existiam naqueles dias. O politicamente correto também não e havia menos preocupação com o que se dizia. Aliás, as pessoas não abriam tanto suas vidas como agora. Pela falta de pudor em se expor tanto algumas pessoas resvalam e demonstram sem querer seus preconceitos. Alguns as pessoas sequer imaginam que os têm.É tão arraigado que mais dia menos dia, tá lá, um baita dum mico racista ou de outro tipo qualquer.
Eu não gosto de liberdade cerceada, nem de pensar nem de emitir opinião. O politicamente correto muitas vêzes impede que a gente seja clara,que tenha opinião que difere dainstituída.
Não sou preconceituosa mas detesto ser tutelada ou ter que caminhar num fio estreito de pensamentos como se fosse uma "Maria vai com as outras..."
sábado, 17 de dezembro de 2011
Substantivos, nomes próprios e alguns telefones
Listinha gostosa:
22 84 12 - Olivetti, na Praça Mal. Câmara
28 27 84 - de casa, no Rocha
49 92 31 - Lulu, no Cachambi
Telefones pretos, de disco, fabricados em ebonite.
O nosso era preso ``a parede, acima da máquina de costura Singer, de pedal, da vovó.
Sears, Mesbla, Casa Mattos, Polar(sapato Tank, lindo, preto, bico quadrado, de amarrar, que o papai engraxava todo domingo de manha).Casa Haddad, em rua em frente ao Instituto de Educaçao, na Mariz e Barros.Barbosa Freitas, Mesbla, Ducal, Ultralar, Lojas Brasileiras.
Sloper da Praça Saens Pena, na Tijuca.E tantas outras marcas inesquecíveis.
Casas Pernambucanas "é que aquece o seu lar".Lâmpadas GE, "olhe a marca e bata o pé, quando for comprar veja bem se é GE".
Rádio Relógio: quem ilumina seu lar é a "Galeria Silvestre, a Galeria da Luz". Casa Vesúvio.A Tôrre Eiffel.
Com a ajuda de alguns amigos e parentes quero lembrar de muito mais porque quem esquece o passado nao vive o presente.
"Shalimar", caro, forte, persistente. Papi dava um vidro pra mamao em todos os aniversários dela, por muitos anos.
22 84 12 - Olivetti, na Praça Mal. Câmara
28 27 84 - de casa, no Rocha
49 92 31 - Lulu, no Cachambi
Telefones pretos, de disco, fabricados em ebonite.
O nosso era preso ``a parede, acima da máquina de costura Singer, de pedal, da vovó.
Sears, Mesbla, Casa Mattos, Polar(sapato Tank, lindo, preto, bico quadrado, de amarrar, que o papai engraxava todo domingo de manha).Casa Haddad, em rua em frente ao Instituto de Educaçao, na Mariz e Barros.Barbosa Freitas, Mesbla, Ducal, Ultralar, Lojas Brasileiras.
Sloper da Praça Saens Pena, na Tijuca.E tantas outras marcas inesquecíveis.
Casas Pernambucanas "é que aquece o seu lar".Lâmpadas GE, "olhe a marca e bata o pé, quando for comprar veja bem se é GE".
Rádio Relógio: quem ilumina seu lar é a "Galeria Silvestre, a Galeria da Luz". Casa Vesúvio.A Tôrre Eiffel.
Com a ajuda de alguns amigos e parentes quero lembrar de muito mais porque quem esquece o passado nao vive o presente.
"Shalimar", caro, forte, persistente. Papi dava um vidro pra mamao em todos os aniversários dela, por muitos anos.
Arnaldo Jabor,obrigada
Sou fascinada pelos textos do Arnaldo Jabor publicados no Globo .Os últimos tem atingido direto o coraçao das minhas memórias infantis. Jabor foi infante numa escola municipal que ficava no Rocha, pertinho da rua onde eu morava. Ele também morou no Méier, muito antes de mim mas suas histórias de família sao muito parecidas com as minhas, no Rocha.Nossa geraçao de classe média, da zona norte, tem referências muito parecidas em questoes familiares. Jabor também me fascina ao vivo no Jornal da Globo. Rascante, ácido, de uma clareza brilhante,ele comenta os fatos mais marcantes da vida institucional brasileira com um certo humor que eu admiro.Sua obra cinematográfica é repleta de emoçao e prefiro que seja assim que o cinema brasileiro cresça. A estética da miséria, do nordeste, das mulheres de bundao na praia e dos malandros já me encheu o saco há muito tempo. Nossa dramaturgia é rica, nossa história e nossa gente comum, urbana, sulista, pantaneira é tao rica quanto as favelas, digo, comunidades cariocas e paulistas, ou as secas e áridas histórias nordestinas.Sinto-me mais miserável do que realmente sou ao assistir qualquer filme de temática favelada ou nordestina.
Parei em Vidas Sêcas, uma obra prima, e chega.Quero os dramas, as lágrimas e as superaçoes de "O filho eterno"; quero vibrar com Tropa de Elite(1 e 2),e com as comédias recentes, urbanas, paridas do senso comum brasileiro.
Quero mais Arnaldo Jabor. Você me inspira , me instrui e me diverte. Me confirma que minhas memórias nao sao uma invençao,apenas uma rica uma imaginaçao; se as suas existem entao eu tenho certeza que vivi as minhas.
Você me foi apresentado uma vez numa reuniao de cineastas pelo Orlando Bonfim; na época eu participava ativamente das tentativas de colocar nossos curtas nos cinemas.Pedi pra ser apresentada porque já entao você era um ídolo.Apertei sua mao, você disse algo como " muito prazer...". E eu é que tinha tido mesmo "o prazer". Travei, nao consegui dizer nada interessante que pudesse despertar sua atençao e você se retirou indo juntar-se a seus pares, outros famosos e importantes cineastas.
Tudo bem, posso desfrutar de seus textos,babando a última página do Segundo Caderno.
Deus te abençoe, Jabor.
Parei em Vidas Sêcas, uma obra prima, e chega.Quero os dramas, as lágrimas e as superaçoes de "O filho eterno"; quero vibrar com Tropa de Elite(1 e 2),e com as comédias recentes, urbanas, paridas do senso comum brasileiro.
Quero mais Arnaldo Jabor. Você me inspira , me instrui e me diverte. Me confirma que minhas memórias nao sao uma invençao,apenas uma rica uma imaginaçao; se as suas existem entao eu tenho certeza que vivi as minhas.
Você me foi apresentado uma vez numa reuniao de cineastas pelo Orlando Bonfim; na época eu participava ativamente das tentativas de colocar nossos curtas nos cinemas.Pedi pra ser apresentada porque já entao você era um ídolo.Apertei sua mao, você disse algo como " muito prazer...". E eu é que tinha tido mesmo "o prazer". Travei, nao consegui dizer nada interessante que pudesse despertar sua atençao e você se retirou indo juntar-se a seus pares, outros famosos e importantes cineastas.
Tudo bem, posso desfrutar de seus textos,babando a última página do Segundo Caderno.
Deus te abençoe, Jabor.
Eu sou de Touro, e você?
Taurinas amam a beleza e buscam sempre tê-la por perto.Sao conscientes da efemeridade das coisas e podem ser possessivos e bem teimosos.
Por isso, sua uva só poderia ser a francesa Merlot que prioriza a beleza e a sofisticaçao sobre todas as coisas.
Gosta de muita atençao e quando a consegue exibe todo o seu charme.É profunda, fechada, encantadora,segura do que é e do que tem para oferecer.Merlot e taurinas sao teimosas e insistem em manter seu estilo sem aceitar ingerências externas.
Por isso, sua uva só poderia ser a francesa Merlot que prioriza a beleza e a sofisticaçao sobre todas as coisas.
Gosta de muita atençao e quando a consegue exibe todo o seu charme.É profunda, fechada, encantadora,segura do que é e do que tem para oferecer.Merlot e taurinas sao teimosas e insistem em manter seu estilo sem aceitar ingerências externas.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Marraio, feridô sou rei
Quando era criança eu adorava as bricadeiras dos meninos: jogar "gude", fazer pipa, soltar pipa, jogar futebol, subir em árvores, apostar corrida e por aí vai...
Adorava brincar de médico, de casa, com papaéis definidos de pai, mãe, filha, etc..
Comprava cigarro continental à varejo e acendia pra ser "o pai". Freud explica e tanto explica que mesmo brincando com as meninas, de roda, de casinha, de cozinhar - eu ADORAVA cozinhar- os anos de terapia me ensinaram a perceber os insights.Um deles, eu gostava de brincar com os meninos porque eu já gostava muito de aparecer para os meninos.PODE!!!! A respeito de cozinhar ...
Vovó punha uma panelinha pequena sobre um fogareiro a álcool e eu cozinhava arroz, macarrão, fritava batata, e distribuía entre a irmã, os primos(as) presentes e a Viga ou a Regina, as amigas de toda a minha infância. Sofri muito quando elas em plena puberdade, aos 12 anos mais ou menos, se mudaram pra Ipanema. Um ano depois fui até lé, de ônibus.Foi triste, não foi alegre esse encontro. Elas não eram as mesmas. Eu também devia ter mudado. Não lembro muita coisa mas o apto era minúsculo, escuro e velho.Não lembro mais nada.Falando da Vovó, além de ser maravilhosa, me ensinou tudo que sei sobre cozinhar e despertou em mim o prazer de cozinhar como oferenda, como uma dádiva de amor.
Mas voltando às brincadeiras, tive uma infância rica, criativa, cheia de liberdade pra inventar e com isso sublimava as dificuldades de viver numa família aflita, onde a comunicação inexistia, e eu me refugiava no banheiro da empregada quando o pau comia.
Nem assim consigo pensar em ter sido infeliz; posso pensar em "um pouco de negligência" mas meus pais e avó, e a tia Thereza faziam o que podiam: eles não sabiam mesmo como cuidar emocionalmente do desenvolvimento de uma criança. Não se prestava muita atenção nelas. Incrivelmente, algumas se salvavam por si mesmas.
Não sou perfeitinha e sou complicada mas não lembro de ser infeliz, apenas tinha dias difíceis.
Bota difícil nisso mas eu sobrevivi e não me queixo, hoje aos 64 de idade, daqueles que cuidaram amorosamente de mim, à moda deles, mas cuidaram.
E eu acabei me transformando nessa pessoa que adora viver e lembra com amor e saudade dos meus queridos que já se foram.
Adorava brincar de médico, de casa, com papaéis definidos de pai, mãe, filha, etc..
Comprava cigarro continental à varejo e acendia pra ser "o pai". Freud explica e tanto explica que mesmo brincando com as meninas, de roda, de casinha, de cozinhar - eu ADORAVA cozinhar- os anos de terapia me ensinaram a perceber os insights.Um deles, eu gostava de brincar com os meninos porque eu já gostava muito de aparecer para os meninos.PODE!!!! A respeito de cozinhar ...
Vovó punha uma panelinha pequena sobre um fogareiro a álcool e eu cozinhava arroz, macarrão, fritava batata, e distribuía entre a irmã, os primos(as) presentes e a Viga ou a Regina, as amigas de toda a minha infância. Sofri muito quando elas em plena puberdade, aos 12 anos mais ou menos, se mudaram pra Ipanema. Um ano depois fui até lé, de ônibus.Foi triste, não foi alegre esse encontro. Elas não eram as mesmas. Eu também devia ter mudado. Não lembro muita coisa mas o apto era minúsculo, escuro e velho.Não lembro mais nada.Falando da Vovó, além de ser maravilhosa, me ensinou tudo que sei sobre cozinhar e despertou em mim o prazer de cozinhar como oferenda, como uma dádiva de amor.
Mas voltando às brincadeiras, tive uma infância rica, criativa, cheia de liberdade pra inventar e com isso sublimava as dificuldades de viver numa família aflita, onde a comunicação inexistia, e eu me refugiava no banheiro da empregada quando o pau comia.
Nem assim consigo pensar em ter sido infeliz; posso pensar em "um pouco de negligência" mas meus pais e avó, e a tia Thereza faziam o que podiam: eles não sabiam mesmo como cuidar emocionalmente do desenvolvimento de uma criança. Não se prestava muita atenção nelas. Incrivelmente, algumas se salvavam por si mesmas.
Não sou perfeitinha e sou complicada mas não lembro de ser infeliz, apenas tinha dias difíceis.
Bota difícil nisso mas eu sobrevivi e não me queixo, hoje aos 64 de idade, daqueles que cuidaram amorosamente de mim, à moda deles, mas cuidaram.
E eu acabei me transformando nessa pessoa que adora viver e lembra com amor e saudade dos meus queridos que já se foram.
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